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quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Preconceitos

Outro depoimento que faz pensar...

"Eu sou de família tradicional alemã, típica daqui de Santa Catarina e decidi também dar meu desabafo, como o garoto que contou sua história na outra postagem.
Eu não nasci pobre, sem-teto, muito pelo contrário, mas fui morar na rua depois que o meu pai descobriu que eu era homossexual. Nunca vou me esquecer da frase que ele disse: Lugar de lixo é no lixo. Você ...não é meu filho, deve ter sido trocado na maternidade e disse uma centena de palavrões. Ele me espancou e eu fui parar na rua só com a roupa do meu corpo. Minha mãe e minha irmão não fizeram nada. Isso doeu demais.
Na rua me tornei promíscuo, vulgar, usuário de drogas e tive duas overdoses que quase me mataram. Eu fui estuprado várias vezes por homens da rua e por gente que se dizia de bem. Infelizmente, o gay não é respeitado nem por mendigos.
Peguei várias doenças e transmiti muitas também, não sei como não peguei AIDS. Foi em um albergue que acabei dizendo para mim mesmo que não ia deixar aquilo continuar daquele jeito. Decidi me travestir e me prostituir em regiões mais ricas. Apanhei, bati, me machucaram e eu machuquei também. Mas, pelo menos, consegui um pouco de respeito. Depois de oito anos na rua, você já viu de tudo, já fez de tudo e sabe que vai ter que fazer muito mais. Certa vez um grupo de homofóbicos me espancou depois de um jogo entre Grêmio e Figueirense, fui parar no hospital, foi aí que conheci um médico maravilhoso. Ele foi muito bom comigo. No final, ele me deu o cartão dele, da clínica onde ele atendia. Depois de algumas conversas e alguns encontros, começamos a namorar e estamos morando juntos desde 20 de março 2012. Eu voltei a estudar no ano passado, estou fazendo enfermagem. Na semana passada o meu amor me deu seu livro e ainda brincou dizendo que o livro deveria ter uma outra versão chamada de Bonequinha de Luxo do Asfalto, em minha homenagem. Me senti a verdadeira Audrey Hepburn! Agora eu não me travisto mais, vivemos juntos e somos discretos. Ele está me ajudando a me livrar das drogas, essa está sendo a parte mais difícil. Ontem eu li seu livro e achei lindo! Maravilhoso! Uma lição de vida. Por isso, eu gostaria que você escrevesse um outro, com o contexto do sofrimento dos homossexuais quando são expulsos de casa para morar na rua. Se cada cicatriz do meu corpo fosse uma página de um livro, eu teria páginas suficientes para escrever um romance. Não precisa se chamar Bonequinha de Luxo do Asfalto, mas mostrar para o mundo que os gays também tem sentimentos."



Para quem não entendeu o recado: Homofobia, não!


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