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sexta-feira, 21 de junho de 2013

Educar é uma via de mão-dupla


Após trabalhar com o livro O Dilema de Marquinhos, de minha autoria, publicado pela Editora Uirapuru, que contempla as dúvidas de uma criança sobre como nascem os bebês e as confusões que se formaram em sua ca...beça, a professora Rita Araújo estabeleceu um curioso diálogo com um de seus alunos de nove anos, cujo primeiro nome é William.

(Professora) William, o que você achou da história do livro O Dilema de Marquinhos?
(William) Eu achei que os pais deveriam prestar mais atenção em seus filhos.
(Professora) Por que você diz isso?
(William) Porque muitos adultos acham que os filhos são computadores que já nascem sabendo.
(Professora) Mas os computadores não “nascem” sabendo.
(William) É, prô, mas se você colocar qualquer porcaria no computador ele vai guardar aquilo dentro dele pra usar depois.
(Professora) Isso é verdade!
(William) Com a gente é a mesma coisa, prô, se os adultos não explicarem as coisas direito, nós acabamos ouvindo o que os outros falam e usando depois.
(Professora) Infelizmente, William, sou obrigada a concordar com você.
(William) É por isso que a gente deixa de acreditar em nossos pais, eles enganam a gente para não contar as coisas, mas os outros contam...
(Professora) Mas você precisa tomar cuidado com o que os outros te falam, tem muita maldade espalhada por esse mundo. Vocês precisam confiar mais nos seus pais.
(William) Por quê? Eles não confiam na gente, não contam direito como as coisas são. A gente tem curiosidade!
(Professora) Huuumm...
(William) Prô, por que não tem escola para os pais aprenderem a conversar e a falar a verdade para os filhos?


Quando a Professora me fez esse relato, ela concluiu com a frase.
É, professor Egidio! Tem dias que eu penso: quem ensina mais numa escola, os professores, ou os alunos?


Obrigado, professora e William, vocês também nos ensinaram muito mais no dia de hoje.
 
 

Um comentário:

  1. Meu filho de sete anos sempre perguntava como ele tinha nascido e eu tentava fugir do assunto, até que um dia, depois de contar para ele que eu estava grávida, ele perguntou: Mãe, eu te machuquei quando nasci?
    Eu fiquei sem graça com a pergunta e só respondi que não.
    Em seguida ele fez outra pergunta: O nenê vai te machucar quando ele nascer?
    E eu, mais aflita, disse que não sabia.
    Pensei que ele ia parar, mas ele insistiu: Você fez xixi quando eu nasci?
    Ao ver que ele tinha informações mais profundas sobre o assunto, procurei saber por que ele estava fazendo essas perguntas. Foi quando descobri que os amiguinhos haviam discutido sobre o assunto na escola, durante o intervalo.
    Obviamente, as informações eram distorcidas e cheias de imprecisões, uma delas, a mais curiosa e preocupante, foi quando um dos meninos falou que quando a criança nascia, cabia à mãe escolher se queria uma menina ou um menino. Se o escolhido fosse uma menina, e o médico cortava o pênis do menino e o transformava em menina, que ele tinha visto isso na internet. Acho que ele falava do cordão umbilical, mas fiquei preocupada.
    Ao comentar sobre o assunto com outra mãe na porta da escola, ela disse que me emprestaria este seu livro para que eu pudesse falar sobre o assunto de um modo mais poético e sem transformar o assunto em um problema.
    No dia seguinte ela me emprestou o livro “O Dilema de Marquinhos” e, após lê-lo, sentei com o meu filho e li seu livro. Eu me senti tão a vontade para conversar sobre o assunto que consegui tirar todas as suas dúvidas.
    Em setembro terei meu bebê, uma menina, meu filho não vê a hora e disse que quando crescer vai ser médico para ajudar as mulheres a terem seus filhos.

    Meu nome é Carla Cristina
    Sou de Florianópolis – SC
    Obrigado

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